quarta-feira, dezembro 27, 2006

Estelionato Protegido

Na antevéspera do Natal, em meio ao tumulto causado pela venda de assentos inexistentes e indignação dos lesados, foi veiculada pela TV a imagem de policiais federais fazendo a segurança.
Ficou para mim a pergunta: segurança de quem?
Os policiais portavam armas de combate pessoal, como metralhadoras leves, intimidando usuários revoltados, numa demonstração cabal de que sua mera autoridade era insuficiente para inibir tumultos.
Brandiam contra a população desarmada por força de lei, as armas que lhes foram fornecidas por essa mesma população. O cachorro mordendo o dono.
Brandiam porque sua ação era imoral. Brandiam porque não lhes assistia o bom senso. Brandiam porque assim lhes foi ordenado. Praticaram a ultima ratio regis. Trocaram a força do direito pelo direito da força.
Enquanto isso, os esTAMlionatários, que venderam o que não tinham, que descumpriram todos os princípios da concessão, que escarraram nos direitos dos consumidores, que covardemente esconderam-se atrás de mocinhas indefesas e desinformadas nos balcões, que lesaram os passageiros e tentaram repticiamente escorregar a culpa para um apagão aéreo governamental, sumiram-se em recesso.
Seria ético e moralmente defensável que o uso do aparato repressivo fosse utilizado contra eles, os bandidos, e não contra as vítimas.
Vi também uma passageira que foi detida e indiciada em não sei o quê. Não vi, nem tive notícia, de algum agente dessa patifaria detido e indiciado. É uma inversão de valores.
O Cmte. Rolim deve estar retorcendo-se na tumba. O tapete vermelho, ícone da TAM para o tratamento nobiliárquico de seus clientes, hoje é vermelho de vergonha.
Só há uma saída. Boicotar a TAM, viaje em outra empresa, deixe-a sem chance de fazer booking, quanto mais overbooking, até que sinta necessidade de rever completamente seus procedimentos. Quanto ao aparelho repressivo, bem, deixa pra lá.
Não passam mesmo de cães de guarda.

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