terça-feira, dezembro 26, 2006

Super-Hombre

Fidel está à morte. Normal, isso acontece com todos os que nascem. Todos sabem disso, menos os que se acham super-homens.
Goste-se dele ou não, Fidel foi um homem que deixou sua marca na história.
Goste-se dele ou não, teve coragem de lutar e arriscar-se pelo seu País e por suas convicções. Só isso o diferencia da grande maioria das pessoas que passam pelo mundo.
Simbolicamente de Sierra Maestra, pôs para correr um grupo governante que fazia de Cuba um quintal e bordel de outros países mais ao norte. É inegável o avanço de Cuba nos campos da educação, saúde e redução de desigualdades.
Também é inegável que não aproveitou o momento para consolidar processos políticos de auto-determinação. O remédio, prescrito e aplicado goela abaixo, também causou perdas expressivas a Cuba.
Impossibilidade de discordância, nivelamento pela pobreza, tentativa de ingerência e exportação de seu modelo, isolamento, tudo isso é o preço a ser pago pelas novas gerações. Houve, então desenvolvimento efetivo?
Esse foi o Fidel estadista.
Grupos românticos e alienados, que aqui são os primeiros a reclamar democracia, cultuam Fidel como herói. Ao mesmo tempo em que se referem às ditaduras militares do cone sul como brutais, aplaudem Fidel em seu uniforme de campanha . Clamam por democracia e aplaudem Fidel com seu partido único e perpetuidade no poder, senhor único das cadeias lotadas por motivações de opinião. Reclamam de nepotismo e esquecem Raul Castro, irmão e herdeiro do trono cubano, imposto como sucessor embora sua visível apatia e carisma de um purgante.
Fidel é um ditador, nem melhor nem pior que os outros, autocrático e arrogante.
Sente-se dono da verdade e iluminado por Deus, o condutor, o líder, o Duce e Führer, o Stalin do Caribe. Imortal, por isso esconde o câncer que lhe rói as entranhas. Sua agonia é assunto de Estado. Secreto e fechado como as portas das prisões políticas. Afinal, super-hombres não podem ter câncer. E ele acredita-se um.
Fidel está à morte. Bom para Cuba e cubanos.
Curados da chaga do analfabetismo, poderão conhecer outros conceitos além de Marx, ler outras opiniões além das publicadas no Granma, readquirir sua liberdade de ser.
Fidel cumpriu seu papel ao dar ao povo cubano a dignidade da instrução e assistência. Infelizmente, à custa da dignidade individual, cidadã, da liberdade.
Foi bom Fidel ter existido, mas está indo embora com um atraso de décadas.

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