sexta-feira, dezembro 08, 2006

Errei?

Pois é.
Por várias vezes considerei que o apagão aéreo estava sendo amplificado por diversos setores da sociedade, em busca de audiência, por desconhecimento, por qualquer outro motivo. Havia razões para isso.
Em primeiro lugar, até o malfadado acidente, as operações aéreas fluiam normalmente, sem sobressaltos. Um aeroporto aqui, outro ali, fechado por condições meteorológicas. Um sobrevôo de 10 ou 15 minutos no destino, por congestionamento de aproximação. Um retardo de 5 ou 10 minutos na cabeceira, aguardando autorização para decolagem. Nada de mais e nada diferente do que ocorre em todo o mundo, exceção de alguns países bem subdesenvolvidos.
Em segundo lugar, reafirmo que em toda a ocasião que acionei ou fui acionado pelos órgãos de controle aéreo, os equipamentos funcionaram e as orientações foram precisas.
Em terceiro lugar, pela filosofia operacional de integração do controle de tráfego com a defesa aérea "desse País", como diz o Lula. Não passava pela minha cabeça que pudesse haver descaso com a segurança nacional. Portanto, os equipamentos deveriam ser adequados.
Ledo engano.
Vem o Sr Brigadeiro Comandante da Aeronáutica, do alto de sua constelação de estrelas e de asas prateadas, declarar que os equipamentos, com mais de 6 anos de uso, estavam desgastados. Que eu saiba, equipamentos eletrônicos desgastam-se só se não forem corretamente mantidos.
E parece que é isso mesmo. Declarou ainda que não há um só técnico brasileiro capacitado para mantê-los, o que fica a cargo de uma empresa estrangeira, se bem entendi, com um técnico francês residente no País. É interessante que o ITA, de renome internacional e vinculado à própria Aeronáutica, que forma engenheiros eletrônicos do mais alto gabarito, não disponha de conhecimento para formar esses técnicos.Pior ainda, depois de chamado às falas pelo Pres Lula, declarou que irão comprar mais equipamentos para redundância dos sistemas.
Quer dizer que não há? Quer dizer então que uma dor de barriga qualquer, uma banana de dinamite que seja, dessas de quebrar pedra, pode deixar o Brasil cego, surdo e mudo em seu espaço aéreo.Quer dizer que esses senhores, no alto de sua empáfia, desprezaram tudo o que o País neles acreditou, formando-os desde cadetes para que cuidassem de nossa segurança. Em troca de quê? De galões e vaidades?
Lamento as declarações. Não o conheço e sequer posso afirmar com certeza de que disse realmente tudo isso. Foi publicado na imprensa, como extrato de sua entrevista coletiva. Mas se foi verdade, não cabe a esse senhor outra ação além de reconhecer o erro do qual foi partícipe, pedir desculpas à Nação e afastar-se definitivamente para o anonimato da vergonha. Ele e todo o Estado Maior que o secundou e a seus antecessores, que, por desídia, não honraram os mais de 40 anos de salário que receberam nem a confiança que lhes depositou o povo brasileiro.
Tomara que nada disso seja verdade.

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