Araguaia em Lágrimas
Pere Casaldàliga i Pla (* Pere Casaldàliga i Pla (Balsareny, província de Barcelona, 16 de fevereiro de 1928 + Batatais, 09 de agosto de 2020) teve seu falecimento confirmado nesta manhã.
O que dizer? Que siga em paz.
D. Pedro foi a figura mais próxima do ideal do cristianismo que conheci.
Sua casa paroquial, simples, nunca tinha sua porta trancada, o acesso era franqueado a quem quisesse, dia ou noite, apesar de viver sempre sob ameaça. Era uma pedra na botina dos poderosos e um bálsamo aos oprimidos.
Seus aposentos eram ascéticos, suas refeições frugais num puxado no quintal, numa mesa com banco de madeira, sempre cercado e com o apoio de paroquianos, que levavam um cuscus ou tapioca, alguma fruta de época, ou o que fosse disponível ao povo pobre.
Há uma pequena capela nos fundos do terreno, maravilhosa em sua simplicidade rústica, tão diferente das catedrais em monumentos ou templos em ostentação. Nela D. Pedro se recolhia em oração, em seu próprio Sermão da Montanha, em que os pobres, desvalidos, oprimidos eram o objeto de seu louvar e prece.
Toda pompa que um verdadeiro Bispo, mais alto grau de ordem eclesiástica, precisa.
Morreu D. Pedro, o dos sem terra e sem nada, dos indígenas, dos ribeirinhos, do Araguaia e suas matas. Que siga em busca de seu lugar na Casa do Pai, conforme cria, ou mesmo integre-se à Natureza, como vejo, pouco importa. Que siga em paz, pois sua luta ferrenha em sua busca neste plano findou-se.
A herança que nos deixa é seu exemplo.


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