Primeira República
Como se viu, democracia não era valor positivista, sendo o povo colocado no último degrau dos valores a serem preservados e considerados.
Liberdade sequer era considerada na escala de valores.
Liberdade sequer era considerada na escala de valores.
A ferro e fogo haveria de se transformar a sociedade fundamentada na nova elite. Os militares substituíram a monarquia como elite comandante dessa transformação.
Criam-se assim os Estados Unidos do Brasil, uma pseudo Federação em que o poder central era mandante e comandante, a ponto de homologar ou não os vencedores de eleições não universais e manipuladas por listas de eleitores.
As sucessivas Constituições, de 1891, 1934, 1937 são fortemente positivistas, conceitualmente falando.
De Deodoro, já senil, surge Floriano. o Marechal de Ferro, e sucessivas revoltas sangrentas, nas quais os adversários, ou pretensos adversários liberais foram fortemente reprimidos e genocídios foram praticados. O que hoje é brandido como perigo comunista, o pretexto de então era o restauracionismo. Treze presidentes se sucederam, em todos ocorreram revoltas e repressões. Movimentos populares de qualquer ordem foram reprimidos. Canudos, revoltas da Armada e da Chibata, da Vacina e do Contestado são um bons exemplos genocidas.
Afinal, o povo não possuía condições morais e intelectuais para decidir sobre seus caminhos.
A maior experiência positivista no Brasil ocorreu no Rio Grande do Sul, o que promoveu um conjunto de revoltas, sendo a mais contundente a de 1923. A Escola Militar de Porto Alegre, ambientada na cultura local, positivista, não por acaso teve como estudantes os principais nomes do golpe de 1964, incluindo seus presidentes.
A maior experiência positivista no Brasil ocorreu no Rio Grande do Sul, o que promoveu um conjunto de revoltas, sendo a mais contundente a de 1923. A Escola Militar de Porto Alegre, ambientada na cultura local, positivista, não por acaso teve como estudantes os principais nomes do golpe de 1964, incluindo seus presidentes.
No final da Guerra do Paraguai, as tropas gaúchas assumiram a preponderância. Para uma sociedade rural, semi-caudilhista e aguerrida, o positivismo fazia todo o sentido. Os donos das terras com suas tropas particulares e poder político não poucas vezes adquiridos em eleições fraudadas, no Rio Grande do Sul foi visto o maior exemplo do positivismo político, pelo Castilhismo e Borgismo, e suas revoluções. Há figuras históricas desse período, como Batista Luzardo e Silveira Martins só como exemplos, mas que formaram o ambiente para que, 40 anos após o golpe republicano, surgisse Getúlio Vargas.
Positivista em seus conceitos, embora civil teve também formação militar na escola de Rio Pardo, de onde foi excluído por liderar um movimento de repúdio a uma ação arbitrária do comando. Alinhou-se politicamente ao borgismo e, em 1930, deu fim à República do golpe de 1889 e introduziu alguns conceitos de participação popular, possivelmente influenciado pela revolução russa de 1917 e a profunda revisão que provocou.
Ainda assim, do golpe de 1930 e suas repaginações, foram 15 anos de ditadura, com o governante, apoiado pelos militares. Dirigiu com mão de ferro o país, muito embora incorporando de algumas medidas de reconhecimento popular.
Foi deposto pelos militares, já nos primeiros ensaios do que viria a ser conhecido como Guerra Fria, mas ainda, na ocasião, mero desconforto de acomodação geopolítica entre os três principais vencedores da II GG.
Mais uma vez os militares atravessam a rua, saem dos quartéis para fazer política. Afinal, vêem-se como a elite dirigente dos antigos preceitos positivistas. E têm armas, não somente retóricas.
Refunda-se novamente o Brasil, com a Constituição liberalizante de 1946.



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