domingo, abril 18, 2021

Cão que Ladra, Morde? Parte 6 – Golpe e Contragolpe


É bastante claro que fomos salvos do golpe pela pandemia, a mesma que nos mata, embora seja muito complexo escrever a história que não houve.
Poderia ter acontecido pela criatura, pelo criador, ou pela combinação de ambos.
O vírus tirou todo mundo das ruas, e foi nossa sorte.
 
Também é evidente que a ida de um general de exército na ativa para o exercício de uma função civil totalmente alheia a sua formação e conhecimento, mas sempre com a autorização formal do Comandante do Exército, foi vista como uma oportunidade de desgaste por ambas as correntes.

Pelo capitão-presidente, para desgastar a imagem do próprio Exército e seus generais. Expor sua incompetência e arrogância sobre uma montanha de mortos abalaria, como de fato abalou, a imagem idealizada de segmentos da opinião pública.
Pelo Alto Comando, ao apostar que a montanha de mortos associada à inevitáve; recessão, porém potencializada pela desastrosa política econômica neoliberal, desnacionalizante, disruptiva e demolidora, colaria no capitão e isso abriria o espaço institucional para disputar diretamente o comando de direito em 2022. Percebe-se na tentativa de exposição de Santos Cruz, possivelmente o nome desejado e respeitado na corporação, posicionando-lhe como oposição crítica a capitão-presidente.
 
O Alto Comando, percebendo as jogadas da criatura, talvez tenha decidido tirar sua carta da manga. O impedimento. Com ele, assumiria a condução do país de direito e de fato. 
Seria necessário manter a ordem, possivelmente houvesse embates com as forças do capitão, sempre uma situação de risco até porque as PM são muito mais competentes e capacitadas para o combate urbano do que o Exército. E sempre haveria a possibilidade das tropas do próprio Exército, subvertidas, simplesmente não obedecessem aos generais.
 
Ainda assim, o capitão-presidente, também mapeando as intenções dos generais, alugou preventivamente os bons ofícios do Centrão e garantiu a inviabilidade de prosperar um processo de impedimento.
Pelas via institucionais, sem chance. Por rupturas da ordem, também não. Garantiu-se e o Alto Comando sentiu o contragolpe.
 
Ambas balizam e estimulam as defecções verdadeiras e simuladas de lado a lado. A presença fiel na PGR e no próprio STF, as lideranças no Legislativo.
Pazuello, inicialmente colocado pelo Alto Comando com autorização formal concedida pelo Comandante do Exército como uma forma de desgastar o capitão, aparentemente bandeou-se de lado. Foi abandonado pela corporação e escolhido como alvo secundário para atingir o primário. a de Braga Netto talvez seja simulada, apenas a boca do crocodilo aguardando para morder.
O estímulo à CPI da Covid está nesse contexto.

Instituições de Estado, quando politizadas, agem somente por três propósitos: autopreservação, autopromoção, ou vingança. Isoladamente ou em conjunto.
 Como nenhum ataque virá da PGR ou do Centrão, ao menos por enquanto, surge a CPI que promoverá seu massacre e forçará o capitão a agir para redução de danos. Ou Bolsonaro lhe agasalha, ou pode abrir a boca e provocar frouxos de riso em Mourão e no Forte Apache.
 
A par disso, fatos novos fatos surgem e a candidatura de real oposição política modifica o cenário para 2022.
No momento em que a tendência de provocar uma ruptura se tornou clara, as instituições que seriam atingidas reagiram. 
A guinada do STF para a defesa dos preceitos constitucionais é sintomática. Lula passou a ser uma realidade para 2022, realidade que as forças de 2018 consideravam superada.
Lula nada mais é no momento do que uma ameaça a quem ameaça as instituições. Está correto em não dar o assunto por liquidado, conhece o terreno.
Tirar do caminho agora somente por morte ou intervenção do Judiciário. 
A primeira hipótese é aleatória pelo destino, ou insuportável na provocação. 
Não somente incendiaria o país em sentido contrário ao desejado, como propiciaria um isolamento internacional jamais vivido desde o apartheid.
Por todos esses fatos, embora as ameaças veladas, ou nem tanto, do boquirroto capitão, nada deverá acontecer até a eleição do ano que vem. 
Mas as jogadas estão sendo ensaiadas e o palco montado. E Lula, de fato, é a terceira via capaz de ameaçar os planos das duas atualmente dominantes.

Com o cenário mais provável de vitória de uma terceira corrente política derrotando as duas que atualmente se engalfinham, pode-se imaginar que:

 1.    Contestar o resultado eleitoral seja a única saída possível para as duas                    correntes no governo. 

        Uma não retorna aos quartéis e perde o protagonismo que readquiriu                    com alto custo para o Brasil.

        A outra simplesmente perde a blindagem judicial e terá incomodação,                    inclusive familiar, pelos próximos vinte anos.

2.  As urnas eletrônicas serão atacadas de                    todas as formas para a tentativa                               acusarem do comprovante não ter refletido o            candidato escolhido. 
        A insegurança gerada simplesmente anularia            a eleição.

O voto manual, com contagem em mesas de apuração permite uma manipulação dos resultados, com  contagens e recontagens sucessivas, levando a um simulacro do ocorrido recentemente nos Estados Unidos.                  
Com a diferença de lá as Forças Armadas não se meterem nos governos.

3.      Esse será o golpe real a ser tentado. Forçar uma                 suspeição sobre as urnas e, aí sim, com a provável             conjunção novamente entre o capitão, generais,                     milicianos e polícias.
        O resultante estado de convulsão nacional, aliado a             algumas false flags, atenuaria a repulsa da                             comunidade internacional.

O único antídoto possível é a defesa intransigente do Estado Democrático de Direito, das Instituições, dos processos legais e, em especial, das urnas eletrônicas.
Ainda que se reconheça não serem perfeitos e que nem sempre as instituições e seus representantes são motivados pelo bem comum, são, ao fim e ao cabo, a última trincheira a evitar a quebra institucional.
 
Pois o vira-lata tentará morder. Mas só em 2022, salvo se se sentir acuado de morte, coisa que o próprio Partido Militar evita.