Cão que Ladra, Morde? Parte 6 – Golpe e Contragolpe
É bastante claro que fomos salvos do golpe pela pandemia, a mesma que nos mata, embora seja muito complexo escrever a história que não houve.
Poderia ter acontecido pela criatura, pelo criador, ou
pela combinação de ambos.
O vírus tirou todo mundo das ruas, e foi nossa sorte.
Também é evidente que a ida de um general de exército na
ativa para o exercício de uma função civil totalmente alheia a sua formação e
conhecimento, mas sempre com a autorização formal do Comandante do Exército, foi vista como uma oportunidade de desgaste por ambas as correntes.
Pelo capitão-presidente, para desgastar a imagem do próprio Exército
e seus generais. Expor sua incompetência e arrogância sobre uma montanha de
mortos abalaria, como de fato abalou, a imagem idealizada de segmentos da opinião
pública.
Pelo Alto Comando, ao apostar que a montanha de mortos associada à inevitáve; recessão, porém potencializada pela desastrosa política econômica neoliberal, desnacionalizante, disruptiva e demolidora, colaria no capitão e isso abriria o espaço institucional para disputar
diretamente o comando de direito em 2022. Percebe-se na tentativa de exposição
de Santos Cruz, possivelmente o nome desejado e respeitado na corporação, posicionando-lhe como oposição crítica a capitão-presidente.
O Alto Comando, percebendo as jogadas da criatura, talvez
tenha decidido tirar sua carta da manga. O impedimento. Com ele, assumiria a condução do país de direito e de fato.
Seria necessário manter a ordem, possivelmente houvesse embates com as forças
do capitão, sempre uma situação de risco até porque as PM são muito mais
competentes e capacitadas para o combate urbano do que o Exército. E sempre
haveria a possibilidade das tropas do próprio Exército, subvertidas, simplesmente não obedecessem aos generais.
Ainda assim, o capitão-presidente, também mapeando as
intenções dos generais, alugou preventivamente os bons ofícios do Centrão e garantiu a
inviabilidade de prosperar um processo de impedimento.
Pelas via
institucionais, sem chance. Por rupturas da ordem, também não. Garantiu-se e o Alto
Comando sentiu o contragolpe.
Ambas balizam e estimulam as defecções verdadeiras e simuladas de lado
a lado. A presença fiel na PGR e no próprio STF, as lideranças no Legislativo.
Pazuello, inicialmente colocado pelo Alto Comando com autorização formal
concedida pelo Comandante do Exército como uma forma de desgastar o capitão, aparentemente
bandeou-se de lado. Foi abandonado pela corporação e escolhido como alvo
secundário para atingir o primário. a de Braga Netto talvez seja simulada, apenas a boca do crocodilo aguardando para morder.
O estímulo à CPI da Covid está nesse contexto.
Instituições de Estado, quando politizadas, agem somente por três propósitos:
autopreservação, autopromoção, ou vingança. Isoladamente ou em conjunto.
A par disso, fatos novos fatos surgem e a candidatura de
real oposição política modifica o cenário para 2022.
No momento em que a tendência de provocar uma ruptura se
tornou clara, as instituições que seriam atingidas reagiram.
A guinada do STF
para a defesa dos preceitos constitucionais é sintomática. Lula passou a ser
uma realidade para 2022, realidade que as forças de 2018 consideravam superada.
Lula nada mais é no momento do que uma ameaça a quem ameaça as instituições. Está correto em não dar o assunto por liquidado, conhece o terreno.
Tirar do caminho agora somente por morte ou intervenção
do Judiciário.
A primeira hipótese é aleatória pelo destino, ou insuportável
na provocação.
Não somente incendiaria o país em sentido contrário ao
desejado, como propiciaria um isolamento internacional jamais vivido desde o
apartheid.
Por todos esses fatos, embora as ameaças veladas, ou nem
tanto, do boquirroto capitão, nada deverá acontecer até a eleição do ano que
vem.
Mas as jogadas estão sendo ensaiadas e o palco montado. E Lula, de fato, é a terceira via capaz de ameaçar os planos das duas atualmente dominantes.
Com o cenário mais provável de vitória de uma terceira
corrente política derrotando as duas que atualmente se engalfinham, pode-se
imaginar que:
1. Contestar o resultado eleitoral seja a única saída possível para as duas correntes no governo.
Uma não retorna aos quartéis e perde o protagonismo que readquiriu com alto custo para o Brasil.
A outra simplesmente perde a blindagem judicial e terá incomodação, inclusive familiar, pelos próximos vinte anos.

2. As
urnas eletrônicas serão atacadas de todas as formas para a tentativa acusarem do comprovante
não ter refletido o candidato escolhido.
A insegurança gerada simplesmente
anularia a eleição.

O voto manual, com contagem em
mesas de apuração permite uma manipulação dos resultados, com contagens e
recontagens sucessivas, levando a um simulacro do ocorrido recentemente nos
Estados Unidos.
Com a diferença de lá as Forças Armadas não se meterem nos governos.

3. Esse
será o golpe real a ser tentado. Forçar uma suspeição sobre as urnas e, aí sim,
com a provável conjunção novamente entre o capitão, generais, milicianos e
polícias.
O resultante estado de
convulsão nacional, aliado a algumas false flags, atenuaria a repulsa da
comunidade internacional.
O único antídoto possível é a defesa intransigente do
Estado Democrático de Direito, das Instituições, dos processos legais e, em
especial, das urnas eletrônicas.
Ainda que se reconheça não serem perfeitos e que nem
sempre as instituições e seus representantes são motivados pelo bem comum, são, ao fim e ao cabo, a última trincheira a evitar a quebra institucional.
Pois o vira-lata tentará morder. Mas só em 2022, salvo se se sentir acuado de morte, coisa que o próprio Partido Militar evita.

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