Cão que Ladra, Morde? Parte 3 – Cobra Comendo Cobra
A disputa de espaço entre o criador e a criatura – a Junta Militar de Governo e o presidente eleito – surgiu imediatamente após a proclamação dos resultados, no embate entre as apelidada alas ideológica e militar. Esta garantiu para si o QG no Planalto e tentáculos em praticamente todos os órgãos da administração direta, indireta e estatais. A ideológica, a comunicação política, relações exteriores.
As áreas econômicas e afins, como prometido pelas duas faccões na montagem da candidatura, entregues ao Capital sob comando do tristemente célebre Posto Ipiranga.
No cerne da disputa, projetos distintos de poder.
O capitão imediatista vê a batalha, o general estratégico, vê a guerra.
O capitão-presidente promove seus conflitos ao sabor do
momento, o general-político conforme seus objetivos.
As que não conseguiram, o capitão-presidente rapidamente
ocupou com os seus. As baixas, evidentemente, começaram a surgir, mais
intensamente na Ala Militar, menos experiente na arte de difamar e puxar
tapetes. Menos malandra.
Passado o primeiro ano de governo verificaram-se surpreendentes retrocessos socioeconômicos e ataques institucionais contra os outros poderes, tudo de acordo com agenda comum, porém com propósitos diferentes.
Os da Junta Militar, gerar o caos, mobilizar contra um
comunismo imaginário, bagunceiro e aterrorizante para surgirem os salvadores,
eles mesmos, claro, numa prática secular que sempre lhes favoreceu.
Os do capitão-presidente, tudo isso, porém sob seu
comando, não da Junta Militar.
A disputa não é se haveria uma ruptura política, mas sim sob comando de quem.
O capitão-presidente, por seu histórico de insubordinação, despreparo, corrupção e e malandragem, não é confiável para os generais, em grande parte contemporâneos seus de Aman, exatamente por isso conhecido há décadas,e que nutriam a expectativa de manejá-lo.
Por sua vez, os generais da Junta são alvo da desconfiança do
capitão-presidente, que nutre a expectativa de livrar-se deles e poder
dispensar seu apoio.
É cobra comendo cobra.




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