terça-feira, dezembro 05, 2006

Militares Furam Fila

A edição de hoje do Correio Braziliense, em uma de suas manchetes internas, evidencia o quanto pode ser perigosa a conjugação da ignorância com o denuncismo. Com a manchete "Militares Furam a Fila", deixa no ar a possibilidade de que estejam se beneficiando de estrelas e galões para não ficarem submetidos aos atrasos nos aeroportos.
A ignorância fica por conta dos autores da matéria. Para que nivelemos as informações, transcrevo as prioridades das operações aéreas previstas na legislação, que não foi elaborada agora, no calor da crise.

Decolagem
1 - em operação militar (missão de guerra ou de segurança interna)
2 - transportando enfermo ou ferido grave
3 - em operação do SAR
4 - conduzindo o Presidente da República
5 - em operação militar (manobra militar)
6 - demais aeronaves
Pouso
1 - aeronaves em emergência
2 - planadores
3 - transportando enfermo ou ferido grave
4 - em operação do SAR
5 - em operação militar (missão de guerra ou de segurança interna)
6 - conduzindo o Presidente da República
7 - em operação militar (manobra militar)
8 - demais aeronaves

Como se vê, essa seqüência prioriza a vida e o próprio Presidente da República a ela se submete, sendo somente a 4ª prioridade nas decolagens e 6ª nos pousos. E os órgãos de controle nada mais fazem do que cumprir a lei, o que é o mínimo que se pode esperar de um servidor público. Que cumpra a lei. Não a Lei de Gerson, como maldosamente sugere a manchete, num denuncismo vazio e alarmista. E isso se pode atribuir aos responsáveis pela linha editorial.
Há segmentos, não sei se por imitação de outros países ou por convicção própria, com o fermento do ressentimento, buscam caracterizar as forças armadas como geradoras de benefícios cafajestes em causa própria, carimbando-as com os estigmas do arbítrio e da prepotência, mesmo com o sacrifício da ética.
Não se trata de defender atos e fatos do passado, do presente ou, quiçá, do futuro. Trata-se de não fomentar o ódio, fazendo da verdade sua primeira vítima.
Essa visão míope apequena setores da imprensa, o que se lamenta, pois não sobrevive a democracia sem liberdade de expressão. Esta deve ser preservada antes de tudo, mesmo que seja utilizada para informações parciais e facciosas. Resta-nos acreditar que o estágio de evolução da sociedade lhe permita avaliar a credibilidade e as intenções dos ditos formadores de opinião, com visão crítica para expurgar os fatos do alarmismo.
Afinal, é mais difícil desmontar uma meia-verdade do que desmoralizar uma mentira inteira.

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