terça-feira, novembro 28, 2006

Salário e Funcionalismo Público

A de hoje é o aumento dos rendimentos de Deputados e Ministros do Supremo. Os primeiros querem equiparação com os segundos e os segundos querem aumento de rendimentos, num círculo de maravilhosa simbiótica. Ganham pouco para suas responsabilidades de servidores num Estado deficitário, que não consegue pagar os juros de sua dívida. Um Estado ausente na saúde, educação e segurança. Um estado com Leis - em especial no campo penal e tributário - que efetivamente não defendem a sociedade. Um faz as leis, outro as aplica. Estarão fazendo por merecer esse aumento?
O pior é que, hoje, não há emprego melhor do que o funcionalismo público. A população sabe disso, tanto é que as filas dos concursos são intermináveis.
Na média, um ascensorista no Congresso ganha mais que um engenheiro; um servidor nos tribunais, inclusive os de contas, mais que um professor. Em média, o funcionalismo ganha bem mais do que os empregados de mesmo nível em empresas privadas. E ainda contam com o instituto da estabilidade e com aposentadoria integral. E cá pra nós, nem trabalham tanto assim...
Este é um escândalo muito maior do que o pretendido aumento de suas Excelências, porque o Estado nada produz, somente regula. Mas nisso, ninguém tem coragem de tocar.
Nessa alienação coletiva, os que fazem as Leis que absurdamente nos regem e os que as aplicam nem sempre com espírito crítico sentem-se no direito de ganhar mais de 70 salários mínimos mensais, valor de um automóvel por mês. Talvez, se fizerem as contas e nelas incluírem os régios salários pagos à burocracia do legislativo e judiciário, cheguem à conclusão de que não há reforma possível do Estado sem que a cabeça deles seja reformada, que voltem à origens em que o funcionário público, incluindo suas Excelências, serviam ao Estado, e não serviam-se dele.

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