sexta-feira, dezembro 01, 2006

Movimento Sem Limites

Ontem foi noticiado que movimentos ligados a grupos autodenominados de Sem-Terra bloquearam o acesso ao porto de Maceió, impedindo o carregamento de navios com açúcar. Ainda na notícia, o acesso somente foi liberado após receberem um fax da direção do Incra, comprometendo-se a agilizar determinado assentamento. Ainda ontem foi noticiado confronto entre 3000 participantes desses movimentos e ruralistas, na região de Cascavel, oeste paranaense.
O movimento dos sem-terra teve origem nas desapropriações pelas construções das usinas hidrelétricas. Pleiteava, reivindicava e pressionava por uma nova terra, dado que a sua estava inundada. Mantinha-se dentro da Lei e da liberdade de manifestação.
Gradativamente, o que era justo passou a ser utilizado como justificativa para embate social, nos melhores preceitos leninistas. Doutrinam esses grupos a ultrapassarem os limites da lei, ou melhor, a ignorá-la sempre que de seu interesse. A isso dá-se o nome de justiça pelas próprias mãos. Assim, bloqueiam rodovias, invadem propriedades, esbulham, ameaçam, tudo em nome da revolução de massas que pretendem implementar. Mas com outro nome: Sem-Terra. A história registra muitos movimentos de lobos em pele de cordeiros.
Porém, os participantes não são bandidos, maus-caráter, facínoras ou salteadores. São somente ignorantes, manipulados por uma elite muito bem preparada para instaurar o caos. Querem melhorar de vida e só percebem o engodo quando são assentados em nome de uma agricultura familiar. Ora, agricultura familiar, de forma geral, é agricultura de subsistência. Mantém a família no limiar da fome. Comem o que produzem e algum excedente, um saco de arroz, meia dúzia de galinhas, são trocadas por produtos que não produzem. Vivem por casa (ruim) e comida (pouca), e nada mais. Há alguma diferença com o dito trabalho escravo?
Esse processo de favelização do campo, defendido com o olhar cúmplice de autoridades vinculadas à mesma elite que manipula esse exército de Brancaleone, impedirá as atividades produtivas da mesma forma que a favelização da Baixada Fluminense está a impedir a ordem social naquela região.
O Brasil está a um passo de implantar pra valer a produção de biodiesel. Fontes, como o dendê, são totalmente adaptadas às novas fronteiras agrícolas do norte, onde projetos bem estruturados, cooperativados e com aproveitamento industrial poderiam ser implantados. No entanto, pergunte-se aos líderes desses movimentos ou do Incra se estariam dispostos a iniciar vida nova em tais projetos. Certamente não aceitariam, porque perderiam sua bandeira de luta. A pacificação social não é seu propósito, porém a desordem e a sua reconstrução, dentro de filosofia coletivista.
É esse mesmo movimento, infiltrado nos mais diversos estratos da sociedade, que gera a profunda leniência com os fora-da-lei; que divulga uma imagem romântica e robin-hoodiana dessa massa manipulada; que toma decisões judiciais que os defendem; que aprova leis que lhes dão amparo; que condena qualquer ação policial de cumprimento da lei; que não processa as lideranças pelas violações constitucionais, incluindo o direito sagrado de ir e vir; que cria o caldo de cultura para a desordem social completa.
Que institucionaliza a sociedade sem-limites.

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