segunda-feira, julho 18, 2022

Os Mandantes

Quando bradou o aqui é Bolsonaro, poha, também declarou em nome de quem estava matando. 

Parece óbvio isso.

Aí mora a questão, pois é claro que não recebeu ordem direta do representado para matar.

Mais fácil seria entender fosse um pistoleiro, um matador de aluguel. Seria menos doentio, embora igualmente criminoso.

O maior sintoma da doença social que nos afeta é exatamente essa diferença. 

O assassino matou em representação de um terceiro sem que diretamente lhe fosse encomendado o crime, mas sim de forma indireta, subliminar, sugestiva, associada a valores distorcidos exatamente para a cooptação.

Valores que, massificados, justificassem o crime ao criminoso.

A horda bolsonarista radical está convencida de que são soldados de uma guerra santa, uma jihad da ignorância superlativa, da obstrução mental, da polarização emocional.

Vê inimigos no não alinhamento, a necessidade do pensamento único, o império da ilógica, a pasteurização das palavras de ordem, a primazia da quarta parte do Boletim da Unidade (pra quem não sabe, entitulada Justiça e Disciplina).

À fogueira os questionadores, os divergentes de pensamento, os não alinhados.

Aí surge sim a responsabilidade e culpa moral do representado.

Dá internalização do aqui é Bolsonaro, poha.

Porque Bolsonaro, ainda que um fantoche desqualificado dos marechais irresponsáveis e vagabundos, escultores do Mito em causa própria, dá o nome e a face do mandante.

Do que defende tortura e torturador por divergência de pensamento.

Do que simula o fuzilamento de adversários.

Do que vive do conflito, da quizumba, da mentira. 

Cheira a enxofre, o demoníaco mamulengo, enquanto seus mentores, verdadeira legião de cramulhões, lhe instigam, sustentam e simulam.

Temos um caso em que o assassino terceirizado expiará a culpa dos intocáveis e verdadeiros responsáveis. 

Os contratantes, os representados.

Os marechais que nos desgovernam e que ensaiam um golpe para continuar a desgovernar e fomentar os próximos assassinatos em seu nome.

Inspirar medo é sua maior arma.


É mais do que hora das instituições, ainda que timoratas, reagirem e não permitirem ser avacalhadas por esse tipo de gente.