A Cruz e a Estrela de Davi
De verdade, não há limite para a ignorância. O fundo do poço é de trevas infinitas, sempre pode haver um passo a mais na imbecilidade.
Essa foto é
interessante pelo seu significado, pois expressa melhor com a imagem do qu
poderia ser feito com palavras, pois o conceito de patriotismo, por si só, é
vago e difuso e pode simplesmente resumir o que de pior o gênio humano
conseguiu desde o Iluminismo.
Bilac, em
1904, idealizou o culto à Pátria em verso.
A Pátria
Ama, com
fé e orgulho, a terra em que nasceste!
Criança!
não verás nenhum país como este!
Olha que
céu! que mar! que rios! que floresta!
A
Natureza, aqui, perpetuamente em festa,
É um seio
de mãe a transbordar carinhos.
Vê que
vida há no chão! vê que vida há nos ninhos,
Que se
balançam no ar, entre os ramos inquietos!
Vê que
luz, que calor, que multidão de insetos!
Vê que
grande extensão de matas, onde impera,
Fecunda e
luminosa, a eterna primavera!
Boa
terra! jamais negou a quem trabalha
O pão que
mata a fome, o teto que agasalha…
Quem com
o seu suor a fecunda e umedece,
Vê pago o
seu esforço, e é feliz, e enriquece!
Criança!
não verás pais nenhum como este:
Imita na
grandeza a terra em que nasceste...
A floresta,
em célere caminho à extinção.
Desde o poema, as florestas de araucárias foram
extintas, o Pampa virou lavoura, a Mata Atlântica com menos de 10% de sua
cobertura original, a Caatinga queimou em carvão, o Cerrado deu lugar a pastagens e
lavouras. A Amazônia ainda resiste por seu gigantismo, mas não vai longe, todo
Tocantins e sul do Pará já era.
A fúria devastadora não é saciada.
O bioma
Pantanal secando, rios caudalosos, como o Paraná e o Paraguai, já não são
navegáveis em todo ano. Nem o Tietê, o rio de verdade dos tupis.
E a boa
terra pátria, que jamais negaria a quem trabalha o pão que mata a fome, o teto
que agasalha convive com dezenas de milhões passando fome e se abrigando
precariamente em favelas e amontoados indignos, pois a terra pátria tem dono
com escritura lavrada em cartório e a periferia das megalópoles, e até das
cidades médias, servem de almoxarifado para depósito de semiescravos.
Bem se nota
que o orgulho ufano de Bilac manifestado há mais de um século, hoje soa
ridículo quando confrontado com a realidade.
Pátria é
isso mesmo? Tem certeza?
E os ditos conservadores patriotas, milionários donos
de offshores com suas fortunas aqui obtidas e lá usufruídas? São esses os que
precisam incutir esse falso patriotismo, encher a boca para falar de Pátria, mas por um
simples motivo. Precisam manter uma Pátria a seu serviço.
Enfim, me desviando do tema, volto a ele. A foto e o patriotismo bolsonarista.
Essa turba do patriotismo bolsonarista é exatamente aquela doutrinada pelos que
mantêm uma Pátria a seu serviço, para sua acumulação e sua independência
apátrida.
Acham, foi-lhes ensinado que patriotismo é louvar a bandeira e cantar um hino. Ferve seu peito de
orgulho ao escutar os primeiros acordes do hino.
Foram doutrinados a isso, para nem pensar a natureza da Pátria que lhes
venderam.
Pois que há pátrias alheias maiores a serem louvadas e aí está o simbolismo.
A bandeira
nacional servindo de capa, saiote e capacho.
E a de Israel, também. Aí cabe outra observação.
A patifaria neoevangélica, que navega na venda da esperança falaciosa e na grana que pode ser obtida com sua venda, faz da política questão de fé e dá conotação de cristianismo ao símbolo político de um país relativamente teocrático não cristão.
A bandeira de Israel entra em cena para substituir a Cruz.
Será mesmo que é só por ignorância? Acho que não.
Para esses patriotas bolsonaristas lhes bastam a bandeira dos Estados Unidos e de Israel.
A do Brasil pode entrar de coadjuvante, de enfeite mesmo. Tá de bom tamanho.
Por isso são conservadores e patriotas.

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