sexta-feira, janeiro 07, 2022

A Armação

 Decidindo o Alto Comando que o protagonismo político das Forças Armadas deveria ser recuperado, aproveitando a onda de insatisfação popular manifestada nos movimentos de rua em 2013, os colegas que até então evitavam aparecer em público junto com o capitão arruaceiro e agora já deputado federal por sete mandatos, além de ter patrocinado a eleição de três filhos, mas todos pela mesma base da chamada família militar que sempre viu nesse deputado do baixo clero do Centrão o defensor de seus interesses fisiológicos,iniciaram sua reintrodução nos quartéis como seu representante.

Foi uma guinada de posição. O proselitismo começou pela sua participação como convidado na formatura dos novos oficiais na Aman em 2014.
Começou assim a aclamação do Mito. Literalmente.

Uma piada política – conseguiu ter um voto, o seu para presidente da Câmara – passou a frequentar todos os ambientes onde houvesse militares e sempre colocado como um deles, situação que se lhes envergonhava antes, agora ajudava a desenhar o Mito.

O golpe de 2016, no dizer de Jucá, um dos artífices, já contava com o apoio dos generais. Até acredito que Jucá imaginasse ser somente o apoio. De fato, porém, já havia o planejamento para tal se verifica a primeira ocupação de postos-chave no governo Temer. A possibilidade do golpe ser frustrado em 2018, nas eleições, foi neutralizada com o email ameaçador do comandante do Exército ao STF. Jucá também havia proferido a lapidar frase “com o Supremo, com tudo” em 2016, viu-se que não falava em vão.
Nesse período, um general golpista virou  assessor especial da presidência do STF, um outro ameaça o tribunal num julgamento que envolvia matéria constitucional já anteriormente decidida pelo próprio STF.
Um outro general golpista assumiu o controle das informações e segurança institucional.
O Rio de Janeiro ficou sob intervenção da segurança a cargo de outro general golpista. O Rio de Janeiro era a base eleitoral do agora Mito e suas ligações com as milícias para-militares, fundamentais também no controle dos votos nas comunidades.
Todos esses movimentos não foram por acaso, mostra um planejamento bem articulado.

Não se pode desconsiderar também as ligações  próximas da cúpula militar com os Estados Unidos, e do juiz Sérgio Moro com o Dept. de Justiça. Ao fim e ao cabo, esse conjunto agiu de forma harmônica, possivelmente em função da exploração do pré-sal no marco legal aprovado e que privilegiava a exploração pela Petrobrás. Nesse contexto, antes do golpe foi descoberta a espionagem pela NSA.
É possível inferir a aglutinação dessas forças para a derrubada do governo social-democrata, possibilitar o golpe de 2016 e articular a tomada do poder político em 2018.
Todas as armas foram utilizadas, hoje já com fortes indícios de digitais do governo estadunidense de Obama.

E o Mito ganha a eleição e dá início ao governo militar neoliberal.

continua http://fregablog.blogspot.com/2022/01/governo-militar-neoliberal.html