Selva Terrorista - Parte I - Brasil 2035
A história somente se escreve com fatos e esses, no mais das
vezes, somente conseguem ser desenhados a partir das consequências. A abordagem
analítica, nesse ponto, se descola da dialética. Enquanto a analítica trata de
fatos concretos, consequentes e expressados em números e estatísticas, medidas
e indicadores, a dialética busca o entendimento das causas, dos antecedentes
aos fatos, na elaboração de tessitura de variáveis que possam ter servido de
motivações.
Quanto mais possam explicar os fatos, mais sentido farão.
Esse é o exercício do livre pensar. Diferente do livre constatar.
É fato que, ainda de forma velada, o golpe real já havia
ocorrido em 2016, fruto da eficaz politização dos quartéis iniciada
explicitamente em 2014.
Só não viu quem não quis, essa abordagem já foi por demais exposta por vários
analistas e inclusive em matérias neste blog. Dentre todos, destaco as
exposições de Marcelo Pimentel, coronel da reserva, em permanente alerta de que
o movimento tramado ainda no governo Dilma para ocupação do poder pelos
militares levaria inexoravelmente à desmoralização e comprometimento da imagem
da corporação.
A ocupação militar do poder político parece evidenciado no papelório gerado no
Instituto Villas Bôas apelidado de Brasil 2035 (https://averdade.org.br/2022/05/projeto-nacao-o-brasil-em-2035-plano-de-poder-para-alguns/).
![]() |
| Foto Midia Ninja |
No entanto, também parece evidente que, desta vez, o poder militar assumiria o poder político pelos meios e instrumentos constitucionais.
A conspirata de 2016 instalou no poder o sucessor legal da presidente deposta dentro dos ritos legais. A forma foi preservada mutatis mutandis, tal e qual ocorreu com Chavez na Venezuela. O modelo planejado foi muito similar.
Qual teria sido o plano?
Inicialmente a promoção de uma figura política dando-lhe a projeção até então inexistente, a garantir viabilidade eleitoral em 2018. Durante o governo tampão pelo substituto legal, cujo golpe político-parlamentar contou com o apoio comprometido das Forças Armadas, da grande mídia e do Judiciário, por ação ou covardia frente à opinião pública. Para garantia do plano de vitória eleitoral em 2018, segmentos militares ocuparam posições-chave na administração, que vão desde a recriação do GSI, com tentáculos paralelos aos próprios ministérios, à indicação de generais para presença permanente no Judiciário, ao ataque e demonização da política e, quando se fez necessário para afastar a única ameaça à vitória eleitoral de 2018, o ataque explícito ao STF.
Eleito o candidato indicado, um fantoche político reconhecidamente desclassificado até pelas próprias Forças Armadas que lhe escolheram, fomentaram e fortaleceram como única alternativa política circunstancial, além da ocupação de funções na burocracia governamental por cerca de oito mil militares nas funções mais diversas, fica mais do que caracterizado tratar-se de governo militar.
No entanto, havia necessidade de manutenção do poder.
Durante quatro anos foi promovida intensa campanha de
desgaste das demais instituições do Estado.
A campanha psicológica,
reconheça-se, foi bem articulada e desenvolvida. E poderia até ter alcançado
sucesso e propiciado profunda reforma constitucional, ou mesmo uma nova
constituição (modelo chavizta?) não fosse uma pandemia que, conduzida de forma
incompetente e criminosa, abalou a confiança e respeito adquiridos pela intensa
campanha midiática.
O balde de água fria na fervura militar forçou uma mudança tática.
A reeleição do Fantoche passou a ser um imperativo, porém compondo a chapa com
o governante desejado. O impedimento futuro do presidente reeleito, perfeitamente
viável tanto pelos crimes come tidos como pelo rebalanceamento dos apoios
políticos, asseguraria a assunção do vice-presidente, verdadeiro candidato das
forças armadas ainda que sem grande apoio popular, mantendo absolutamente as
regras constitucionais. Os passos seguintes, tais como nova constituinte,
redirecionamento e reposicionamento nacionais a correntes neoliberais e o fim
do incipiente projetado estado de bem estar social, tudo dentro do projeto
Brasil 2035.
O reconhecimento pelo Judiciário dos vícios irremediáveis nos
processos no âmbito da chamada Lava Jato, evidentemente influenciado pelos
ataques promovidos pelo governo militar e já se percebendo como a próxima
vítima, resultou na anulação dos processos viciados. O que trouxe novamente à
arena política o candidato favorito que havia sido alijado da disputa em 2018
exatamente pelas manobras midiático-judiciais e militares.
Mas o Brasil 2035 precisava ser alcançado, apesar dos percalços e batalhas
perdidas.
Novas circunstâncias, novos planos.
O pura e simples golpe entrou no radar.
E pela incompetência, alienação e arrogância, uma sequência de planos Dick
Vigarista para sua implementação.
Continuações:
Parte II – Planos Dick
Vigarista
https://fregablog.blogspot.com/2023/06/selva-terrorista-parte-ii-planos-dick.html
Parte III – E Agora?
https://fregablog.blogspot.com/2023/06/selva-terrorista-parte-iii-e-agora.html

.jpg)
0 Comments:
Postar um comentário
<< Home