Terceira Via
Muitos coleguinhas já batizaram o Marrequento de Terceira
Via. Quanto erro!
A tal Terceira Via surgiu como um movimento do tipo nem-nem.
Nem Bolsonaro, nem Lula, nem o arbítrio, nem o iluminismo.
Claro que é uma
falácia política, uma tentativa de agregar, como força com viabilidade eleitoral, tanto os que ainda estão contaminados pelo massacre midiático-judicial do
ambiente de 2018, quanto os que simplesmente concordariam com uma pauta de
direita, mas percebem que o atual governo nos levou ao caos.
Diversas tentativas já ocorreram para mascarar uma guinada à direita
sem ser da extrema direita burra.
Dória e Leite, tendo Dória uma vitória de Pirro, como seria também a de Leite
fosse o inverso.
Ciro, posicionando-se no espectro mais à esquerda da centro-direita, ainda não
empolgou.
Há também candidaturas inviáveis eleitoralmente, colocadas para marcar posição, ou dar maior densidade na negociação para o futuro governo. D’Ávila e Simone
são exemplos.
E aí surge o movimento também de extrema direita com a
filiação de Moro e sua intenção de disputar a presidência.
De cara, ou até antes disso, compôs com a facção do
Consórcio dos Marechais que buscam uma alternativa a Bolsonaro sem que percam
espaço para sua Junta Militar de Governo. Poderia acrescentar, Junta Militar Em Causa Própria,
não erraria na classificação.
Com a apresentação do Santos Cruz, provável componente da chapa como vice, os
militares tentam manter-se com um pé no barco, outro no cais, repetindo a
fórmula de grudar um dos marechais a uma candidatura política.
Mourão não foi
outra coisa, um tapa-buraco depois que Heleno foi barrado pela Justiça
Eleitoral. Seria ele.
Não, as duas facções do Consórcio dos marechais não brigarão entre si, apenas a
perdedora enfrentará algum ostracismo.
Enquanto isso, ambas viram mariposas de fardados, vivandeiras dos quartéis.
E
nesse terreno Bolsonaro leva vantagem, pela posição que ocupa.
Por isso, não se
estranhe que marque presença até em conclusão de curso de manicure, desde que
as manicures sejam soldados.
É no voto fardado que pretende neutralizar Moro.
Então, a chapa marrequenta, também conhecida como Santos
Cruz-Credo, ganha fôlego, possivelmente não o suficiente para garantir um
segundo turno e, em havendo, substituir Bolsonaro nessa disputa.
Já bateu
no teto e não será fácil atrair eleitores-raiz do bolsonarismo.
Mas não há como desconhecer que ambas, a de Bolsonaro e a de
Moro, são a mesma coisa. Boçais, truculentas, politiqueiras em causa própria,
corruptas, inertes, excludentes, neoliberais subalternas ao Capital.
Não há, pois, como considerar Moro como Terceira via, pois é mais do
mesmo.
No máximo, uma cópia, um fac-simile, uma segunda via do Bolsonaro.
Não há no horizonte uma Terceira Via viável, mas somente uma
alternativa para reconstrução nacional.
E por enquanto ao menos, essa alternativa tem um nome:
Luis Inácio Lula da
Silva.

2 Comments:
No Reino Unido, após a hegemonia do estado mínimo de Thatcher e John Major, houveram tempos de "3ª Via" de Tony Blair e Gordon, em 2010 interrompidos com a volta de conservadores. Na França, a "3ª Via" de Emannuel Macron substituiu a hegemonia do Partido Socialista. Essa alternância tende a se repetir nas democracias maduras. Entretanto, o Brasil tem imensa dificuldade em buscar redefinições do progressismo. Em todos os países onde foi possível a "3ª Via" houve uma reorientação dos governos em direção a políticas publicas mais inclusivas e equitativas.
- Com o novo marco cambial atingindo a soberania e dolarizando a economia o que Lula fará senão prometer mais alguns anos do rentismo no Brasil.
-- Esquecem que privatizaram o Banco Central e compraram o Congresso?
- Poxa! Até a militância petista já entendeu que indicaram o Alckmin na chapa pra manter as prerrogativas do poder, caso contrário farão outro "Golpe".
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