segunda-feira, junho 06, 2022

Quem Tem Um, Tem Nenhum

 

Pois que árvores muito frondosas impedem que outras brotem à sua sombra. Nem capim brota, o que insiste não vinga. Não é por boniteza ou vaidade, não é por maldade que o faz, é a natureza que se previne e defende. O tapete das folhas mortas caídas garante a reciclagem e a umidade, da mesma forma como evita a superpopulação da mesma espécie no local, o que enfraqueceria a todos.

A Natureza tem seus mistérios e segredos, nós, como parte dela, temos os nossos segredos que são de todos, porque universais são as leis que regem a diversidade da vida.

Por que essa divagação? Porque faz parte do mundo real.
Lula é uma árvore frondosa da política. A mais frondosa talvez surgida em nossa história, é difícil comparar coisas desiguais.
Porque Lula-árvore, germinou num deserto, o da ditadura, brigou para existir. Foi o único líder político até agora surgido do pântano da miséria, da fome, da segregação, da marginalidade invisível pela sociedade de bem. Por fortaleza vingou, por inteligência, se destacou, por empatia se projetou. Projetou-se no imaginário de milhões que identificam o cotidiano nas suas palavras, as lutas pela sobrevivência com sua história, a esperança em suas mensagens. E não só com elas, com suas realizações nos oito anos que governou.

Lula hoje é a única opção que temos. Incrível, um país com cento e cinquenta milhões de eleitores depende de um para manter a esperança de sair do atoleiro em que fomos atirados quando tentaram matar a árvore gigante, podar suas raízes, cortar seus galhos, envenenar seus frutos.
Incrível, uma sociedade do tamanho da nossa numa situação monopsônica.
Como estamos vulneráveis, nunca o tivemos tanto.

A recente notícia de que Lula está com Covid, assintomático felizmente e graças à vacina, acende em mim a luz amarela.
Lula completou 76 anos de idade e 74 de vida, por dois anos encarceraram-lhe pra ver se morria de tédio, tristeza ou raiva. Não conseguiram.
 Lula é forte e parece até que o embate lhe fortalece. Talvez sim, mas vive Lula o ocaso da vida biológica, isso é inegável.
E se Lula nos faltar? Precisamos chamar o Chapolin Colorado?

É mais do que urgente, talvez seja até o projeto de governo mais importante de todos, promover o surgimento de novas lideranças afinadas com o respeito à soberania popular, com o desenvolvimento nacional, com a educação, com as novas gerações, com o futuro.

Lula, até forçando a barra contra as leis naturais, precisará abandonar a passividade frente a elas e fazer de seu provável governo até 2026 um viveiro de novas lideranças que empolguem e se identifiquem com a maioria da sociedade, exatamente a parcela que necessita ser prioridade nas políticas públicas.

Lula, por sabedoria ou intuição, apostou todas as fichas e promoveu todas composições possíveis para fazer de Haddad governador de São Paulo. Possivelmente como trampolim para 2026.
A impressão que tenho é que o governo do estado de maior peso específico no país seja um estágio para vôos maiores.
Para quando a árvore frondosa fenecer.