Bordejando o Precipício
“Quem gosta de pobreza é intelectual.” (Joãozinho Trinta)
Adito. Quem gosta de democracia, também.
O governo Lula, com meros cinco meses e não enfrentou um só dia de tranquilidade.
Até acredito que não haja um leão por dia, mas uma manada. Brasil, um navio que estava indo à pique e que precisa ser reformado e colocado em condições de navegabilidade sem parar de navegar. E pior ainda, o imediato, equipes de navegação e de máquinas obram para sabotar o capitão.
Até acredito que não haja um leão por dia, mas uma manada. Brasil, um navio que estava indo à pique e que precisa ser reformado e colocado em condições de navegabilidade sem parar de navegar. E pior ainda, o imediato, equipes de navegação e de máquinas obram para sabotar o capitão.
Lula está sendo sabotado para que se esgote rapidamente seu capital político. Uma realidade incontestável. Talvez por essa razão esteja mantendo uma pauta internacional intensa em busca de um reconhecimento internacional que se desgasta velozmente no ambiente interno.
Apoia-se em dois pilares: meio ambiente e paz.
O meio ambiente foi atacado internamente pela Câmara na desfiguração da estrutura administrativa do governo. O desgaste internacional é decorrência imediata, ninguém está disposto a apoiar quem se mostra fraco.
A paz, bem, o ataque fica por conta dos veículos de mídia dominadas pelo reacionarismo e sabujismo internacional.
A não realização das promessas, principalmente derivada da sabotagem explícita, reorganizará as forças políticas em oposição ao governo, o que incrementará e multiplicará a sabotagem. Em muito pouco tempo, talvez em um ano, o desgaste interno, somado ao internacional, crie a condição política para impedimento. E a gente sabe que qualquer pretexto vale nessa hora.
Lula é um democrata e conciliador, porém circula na borda do precipício, como se fosse possível negociar para se contentar com meias derrotas.
É verdade que precisa governar com o Congresso que existe, foi ele que o povo elegeu. Mas acontece que o governante anterior, com inapetência para governar, porém com voracidade para romper a ordem democrática, delegou o governo ao Congresso.
Nossa democracia está capenga, desequilibrada em seus fundamentos. O governo nem sequer tem força política para definir sua estrutura.
O reacionarismo, ungido pelas urnas parlamentares e pela esperteza e descompromisso de seus líderes, desfigura o plano de governo também ungido pelas urnas.
A desidratação das políticas ambientais, indigenistas, agrárias, deixando tudo a gosto das correntes mais reacionárias, é o escorregador para o abismo, a via expressa para o caos. E Lula circunavega em sua borda, a testar um equilíbrio acrobático. Equilíbrio impossível de progresso, possível talvez só de sobrevivência transitória.
A prática do governo, o feijão-com-arroz do dia a dia, não difere do período trevoso milico-bolsonarista. O toma lá, dá cá. O famoso quid pro quo. O governo cede os anéis para preservar os dedos, mas seus dedos são amputados junto com os anéis. A Codevasf que o diga.
Enfim, iludido por um portal de paraíso, adentra no inferno.
Lula, se permitir o desmonte das políticas ambientais, se submeter-se à pressão dos grileiros interessados no Marco Temporal, se imaginar que a distribuição de cargos e benesses assegurará sua governabilidade, teremos todos o enormíssimo risco de não ver seu governo chegar ao fim pelo esgotamento de prazo e de presenciarmos um retorno recrudescido das trevas reacionárias, que já deram o ar de sua graça sem medo ou vergonha
.
Lula bordeja o precipício. Que não espere, não cometa o erro de cálculo apostando em mobilizações populares. Não são as classes populares, os mais carentes, os desassistidos, os fragilizados, os vulneráveis que têm apreço à democracia. Esses querem sobreviver o hoje, a democracia lhes garante o amanhã. Caso cheguem vivos lá. O embate, a posição, o confronto precisam ser públicos. No Congresso, na comunicação, no esclarecimento.
Há momentos em que uma derrota é muito mais vantajosa do que uma aparente meia vitória. Porque não existe essa metade, é apenas figuração. Lula tem o dom da comunicação empática com as massas. Pois que o exerça.
A extrema direita já dominou as ruas e as massas, da mesma forma como dominou o discurso eleitoral. Puxa, há tantas constatações históricas a apontar que, no caos, são exatamente seus promotores que sequestram as opiniões. Que é exatamente a extrema direita mais radical que verbaliza a revolta, que coopta mentes, que potencializa a ignorância, que vive orgasmos na execração, na mutilação, na tortura, no sangue de seus adversários.
Lula bordeja o precipício. Como última esperança, cairemos juntos?
Se não reagir, o fosso nos espera!


1 Comments:
Ele tem perfeita consciência disso. Já viu esse filme várias vezes. O poder escorrega das mãos. Foi o que levou a Dilma.
issi
Ele já botou a boca no mundo. Arriscou dizer verdades, que causaram reação imediata. Tentaram desmoraliza=lo, disseram que está em onda revanchista.Atacou o Campos Neto, que não se curvou. A volta por cima foi com o arcabouço. Isso permite aumentar os gastos, um pouco, não muito.
Tenho a impressão de que ele vai fazer um jogo duplo. Compra o congresso, quando o item em discussão é importante demais. E vai tentando governar, distribuir benesses para neutralizar resistências e aumentar o apopo da população. As viagens ajudam a inibir os mais ousados, que não tem alguem para se contrapor.
O apoio tem que vir de fora. Do noso lado. Cada um tem que fazer o omáximo. Nada garantido. Mas é a única coisa que se pode fazer.
Postar um comentário
<< Home