sábado, dezembro 03, 2016

E Se...

Em Yataity-Corá, no dia 12 de setembro de 1866. Francisco Solano López teve um encontro com Bartolomé Mitre, por iniciativa do primeiro. Foi a primeira e única tratativa entre plenipotenciários para dar um fim à Guerra do Paraguai, ou da Tríplice Aliança, como é conhecida.
Militarmente, o Paraguay havia perdido a guerra, após a perda do poder naval na Batalha do Riachuelo, em 11 de junho de 1865, dos desastres de seu exército no sul, consubstanciada na Rendição de Uruguaiana, em 16 de setembro do mesmo ano, e na derrota em Tuiuty, em 24 de maio de 1866.
Menos de um ano, portanto, da invasão de Lopez ao Mato Grosso, início efetivo das operações bélicas, a derrota estava configurada.
A derrota, mas não o poder de reação paraguaio, que estendeu a guerra por mais quatro sangrentos e longos anos.

O Tratado da Tríplice Aliança determinava o fim das operações somente com a retirada de Lopez do poder, ou por morte, ou por exílio, situação em que recusava peremptoriamente.
Pois bem. E se Lopez tivesse aceito o exílio, o que teria acontecido?
Os aliados teriam perdido seu principal motivo e pretexto para a guerra, que, a essa altura, já teria custado perda de 100 mil vidas. De fato, seria inaceitável manter Lopez no comando do Paraguay, permaneceria como uma espada de Dâmocles sobre nossas fronteiras desguarnecidas e, muito provavelmente, haveria uma recidiva bélica em alguns anos. Lopez polarizava seu povo, ou por seu magnetismo pessoal, ou por medo ou ainda pela cultura catequética jesuíta de obediência à autoridade.

Mas, e se...

O primeiro impacto é que teria ocorrido a derrota aliada em Curupaity, que ceifou a vida de uma dezena de milhar de aliados, com perdas ínfimas paraguaias. Não fosse a capacidade de recompletamento de tropas, muito maior do que a paraguaia, seria possível afirmar que a guerra estaria empatada.
Curupaity praticamente interrompeu as operações de grande porte por quase dois anos.

O segundo impacto seria que o Paraguay não teria sido levado ao esgotamento de seus recursos humanos e materiais. Em mesa de negociações, pelos impasses, poderia ter levado seus assuntos de fronteira a arbítrio internacional. Ganharia alguns, perderia outros. Talvez mantivesse os territórios de Formosa e Missiones, também alguns territórios que hoje pertencem ao Mato Grosso do Sul. Sete Quedas seria provavelmente paraguaia, e isso inviabilizaria Itaipu como conhecemos.

O Paraguay teria todas as condições de retomar seu crescimento sócio-econômico sem o intervalo de quase um século que levou para sua recuperação.

A Federação Argentina seria também impactada. Pode~se supor que Urquiza endossaria uma solução de pacificação e não é de todo descartável que as províncias correntinas decidissem pela sua segregação de Buenos Ayres.

Essa paz, pouco impactaria no Uruguay, o estado tampão, o algodão entre cristais re´resentados pelo Brasil e Argentina, e fator de equilíbrio geopolítico no estuário do Prata.

Para o Império, caso Pedro II agisse com sensibilidade nas questões gaúchas e nas negociações com o Paraguay sem López, consolidaria ainda mais sua imagem de governante equilibrado e magnânimo. Possivelmente não ocorresse o golpe republicano.

Mas é inevitável que o mapa político da América do Sul não seria o mesmo.

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