terça-feira, dezembro 16, 2014

E Se..

Penso não ter havido um dia sequer na história conhecida da humanidade em que não houvesse um conflito armado em  curso. Nossa história da humanidade é uma história de dominações guerras permanentes.
Talvez a primeira tenha sido mera briga individual, a luta por um resto de osso com carne. O mais fraco ganhava a fome, o mais forte, o alimento.
O primeiro grupo humano que se juntou para lutar por um objetivo comum lançou a semente da guerra. Primeira geração delas. Exigia envolvimento pessoal e contato físico.
Na segunda geração, o uso de ferramentas que eliminassem a necessidade do contato físico direto. O arco, a funda, a lança,  a clave. Na sua evolução, a espada, o rifle, a catapulta, o canhão. Durou milênios sua evolução e não pára de evoluir até hoje. Mísseis, drones e o resto que só o futuro dirá. O arco e flecha acabou com a supremacia do homem fisicamente forte.
A terceira geração é a do capital, tornando as armas meras ferramentas subsidiárias. Em algum momento da história percebeu-se que o domínio dos meios de produção mais facilmente poderia submeter povos e nações. A miséria assumiu a liderança das armas de dominação. A terceira geração é a da destruição dos meios de produção adversários.
Em todas as três gerações, traidor é o que pega em armas contra sua origem em favor do dominador. Família, tribo, nação ou país, pouco importa. Muda somente a classificação.

Mas estamos presenciando e vivendo o nascer de uma nova geração, a quarta, na história dos conflitos humanos.
Esta geração é uma geração do mundo globalizado, sem fronteiros. Mundo de território único, Big-Brother mundial.
É uma geração em que as vias de acesso não são físicas, mas virtuais. É a geração em que a mídia globalizada induz ao pensamento único, a desejos únicos. É um tipo de guerra que ultrapassa as fronteiras da sobrevivência e envereda no consumo massificado.
É uma geração em que generais decidem a sorte de milhões em campos de golfe. Em que comandantes decidem as táticas nas bolsas de apostas, nas mesas de operação. Assepticamente, cirurgicamente, em cliques nos teclados mais apavorantes do que canhões.
É a geração da desinformação. da geração espontânea de verdades, de convencimento de que estelionatos míticos tornam-se verdades. É a geração da concentração dos meios de produção mundiais, não somente de seu domínio localizado.
É a guerra cibernética, do valor de mercado, do fluxo meteórico de capitais como instrumento de combate,
É uma guerra em que soldados não se distinguem pela farda, pela origem. Uma guerra sem pátria, sem leis, sem compromissos outros. Uma guerra diferente, devastadoramente diferente. Sem fronteiras, sem refúgios. Uma guerra pós-pasteurização de mentes, de exércitos-robôs em que a única coisa que pensam é que pensam. É uma guerra em que traição muitas vezes se confunde com direito de opinião. Com a torcida do quanto pior, melhor.

Os primeiros ensaios dessa geração de guerra foram desencadeados com a universalização do convencimento e da fé inabalável sobre um rei nu. E cada um insano que grite na rua apontando a nudez do rei, denunciando o estelionato, buscando vias de escape ao dólar, é combatido e atacado.
A criação do Banco dos Brics acendeu o alerta nos campos de golfe.

Os alvos do ataque principal começam a ser desvendados. Quem falou que a guerra não começou?
É apenas uma guerra com meios diferente das que conhecíamos, porém com o mesmo objetivo: a submissão de povos. Que podem reagir com os meios da terceira geração.
E se reagirem? O limite é o retorno à primeira geração da história dos conflitos humanos.

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/12/1563052-colapso-do-mercado-russo-causa-maior-queda-do-rublo-desde-1998.shtml

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