domingo, dezembro 29, 2013

2013 O Ano em que o Medo foi Vencido

O ano começou com um massacre midiático em torno da AP 470. Disse antes e reafirmo: inocentes, não os há na política brasileira. Com raríssimas exceções, os políticos colocam em prática o pior no modelo político desenhado e formulado para que induzisse a troca de favores, de votos. Um modelo que previa a supremacia do Congresso, mas manteve a rédea nas mãos do Executivo, forçando somente que a cooptação se tornasse essencial para governabilidade.
Um modelo que judicializa a política, em que os magistrados maiores são indicados politicamente. Um modelo que fortaleceu um tribunal de exceção - os de contas - que sequer fazem parte do poder judiciário.
Um modelo que impede a qualquer gestor público  tomar uma decisão, sob pena de ser responsabilizado por ela. E para isso, fortaleceu uma estrutura de poder paralela, o Ministério Público, que tudo pode e de nada é cobrado.
Um ano que começou com um condicionamento da opinião de que tudo é corrupção.
Um ano em que uma massa alienada foi às ruas com palavras de ordem e sem bandeiras reais. E que promoveu baderna e transtornos, como se estivesse numa primavera árabe, sem realmente ter um foco. E que foi manipulada por interesses puramente eleitoreiros, tentando fulanizar insatisfações.

Um ano em que a mídia julgou e condenou, como sempre, de acordo com o interesse de seus patrocinadores.
Um ano em que as catástrofes foram anunciadas por má-fé, na tentativa de gerar o fato. E repercutida por tantos de boa-fé, mas que desenvolveram análise crítica deficiente.
Começou com uma inflação do tomate. Nunca na história deste país (rsrs) o tomate fez tanta falta. Parecia que a população morreria à míngua sem tomates e, claro, foi dado como um exemplo do fracasso das políticas públicas. Não colou, pq a situação climática que motivou a perda de algumas colheitas era transitória. E os arautos do caos não levaram em conta que o tomate é uma planta com ciclo curto de produção.
Suprida a população de tomates, outro ponto deveria ser divulgado para manter o medo aceso. Os argumentos foram os mais variados. A cada momento, um novo, porque a oposição, infelizmente, está mais errática do que mosca de padaria. Ora era o juro irreal, a inflação descontrolada, o ataque à moeda, a Bolsa que não rende mais o que os especuladores gostariam. O caos fiscal, o desgoverno.

Para desespero de alguns, a população não acreditou.

Em 2013, a população mostrou que não tem mais medo de bichos-papões. Não mais se deixa conduzir com ameaças. E essa foi a grande vitória.
Não conseguiram convencer na balela de que os médicos cubanos seriam terroristas infliltrados, que a Bolsa Família objetivava compra de votos, que há um sórdido plano comunista, gramciano, a preparar um golpe ditatorial.
Um ano em que o medo foi vencido.
Está tudo perfeito? Claro que não.
Há falhas de gestão, sim. Há uma disputa de cachorros pelo osso do poder, surda, que se desenvolve nos bastidores do Congresso e Judiciário, especialmente.
Há um erro monumental da política indigenista, que poderá gerar uma guerra étnica. Há uma irrealidade criminosa na instituição de quotas raciais. Há uma permissividade com a ditadura imposta pelos traidores assentados na FUNAI, INCRA e IBAMA, que agem politica e ideologicamente descolados da população.
Há um inchaço na administração pública, e isso em todos os níveis federados. Não foi tratado o direito de greve em atividades essenciais e do funcionalismo e nem o desequilíbrio gerado pelos dois sistemas previdenciários, contrastantes.
Há que se acelerar a real implementação de um sistema público universalizado de saúde. A atualização do Código Penal como elemento de combate à violência, embora os ritos sejam limitados em sua agilização pela cláusula pétrea constitucional.

Enfim, há muito a fazer e se conquistar para nosso país. Mas há também um fato novo.
Em 2013, os brasileiros venceram o medo.

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