segunda-feira, outubro 21, 2013

Libra não Esterlina

Hoje é um dia decisivo. Dia em que o pré-sal adquire realidade factual com o leilão de Libra, campo com mais de 12 bilhões de barris de petróleo estimados.
Dia em que pode se configurar uma aliança estratégica com a China, hoje considerada a segunda potência mundial, mas que de fato é a primeira.
Dia em que se desvendam as profundas divergências com os Estados Unidos, que persiste em considerar o Brasil um país satélite, seu quintal dos fundos, conceito que é recusado pela maioria do povo brasileiro.
Dia que poderá ser frustrante à nossa nacionalidade, pois não se pode desprezar a eficiência dos serviços de inteligência na defesa dos interesses americanos. A crescente polarização política interna com intenso bombardeio de mídia na tentativa de desestabilizar o atual governo por suas posições nacionalistas é uma realidade.

A verdade é que temos enorme riqueza na mão e nenhuma capacidade de sua defesa. Com muito pouco movimento e nenhum risco militar, o pré-sal pode nos ser tomado facilmente. O fantasma da IV Frota americana a passear no Atlântico Sul nos lembra permanentemente de nossa vulnerabilidade.
Aí a importância da aliança estratégico-comercial com a China para a exploração do campo de Libra. Esse era o movimento que estava sendo bisbilhotado pela NSA, a serviço da Exxon e Chevron, americanas, que se afastaram do leilão após o fato. Essa foi a razão do enfurecimento retórico do governo brasileiro.

A presença chinesa é uma barreira às pretensões americanas de ocupar o pré-sal pela força. Pensarão duas vezes, ou mais até. Reduz a assimetria. No mesmo contexto está a aquisição de armamento antiaéreo soviético, sem o risco explícito de ser neutralizado por um simples comando eletrônico americano. Tudo isso porque, por mais que nos doa e se lamente, os Estados Unidos são a mais forte ameaça atual ao Brasil.

O leilão de Libra representa um novo grito do Ipiranga.

A continuidade de um governo com viés nacionalista está ameaçada na eleição do ano que vem. É visível a pressão da mídia, o fomento de movimentos de insatisfação difusa, a defesa de teses neoliberais como a salvação da sociedade por gente doutrinada para pensar assim, a atuação da inteligência americana no fomento e financiamento de tudo isso. Sem provas, mas visível seu dedo.
A alternativa significa o alinhamento com os interesses americanos, por isso fomentada e financiada. Se conseguirem o domínio por meio de governantes colocados, para que enveredar pelo desgaste do conflito?
Essa é mais uma razão para que o leilão se realize neste ano não eleitoral, crie o fato consumado, traga interesses que nos defendam e que se estabeleçam como uma barreira às ambições hegemônicas sobre nosso país.

Há alianças que são uma ameaça por si só. A voracidade hegemônica chinesa não é menor que a americana, com a desvantagem de ser uma cultura diferente e estranha para nós. Mas, para nossa vantagem, é uma ameaça mais distante geograficamente e a única capaz de se opor à ganância de uma potência pautada por suas corporações empresariais.  E aí está a nossa força, pois não podemos esperar qualquer apoio estratégico do mundo ocidental, no qual estamos inseridos e que tem se mostrado simples braço dos interesses americanos.
Paradoxos da geopolítica.

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