quarta-feira, março 23, 2011

Negócio da China

A prevista visita de Dilma à China está ficando interessante, no campo da diplomacia. Ontem, o embaixador chinês no Brasil declarou que a visita "histórica" fortalecerá a "relação estratégica" bilateral, mas que cabe aos brasileiros resolver o problema da pauta de exportações para seu país, dominada por matérias-primas.

Afirma ele: "Vocês têm que fazer seus próprios esforços para a competitividade da indústria e da economia. Se o Brasil não vender esses produtos [minério, petróleo, bens agrícolas], o que vai exportar para manter esse nível de crescimento [do intercâmbio]?", disse, referindo-se ao superavit de US$ 5 bilhões do lado brasileiro, em 2010.

É sintomática a arrogância que domina a política externa chinesa nos tempos recentes. Se não exportarmos pra eles, exportaremos pra quem?

A China foi, em 2009, o maior parceiro comercial do Brasil. Exportamo-lhes milhões de toneladas de cereais e minérios. Importamos matadores de mosquitos descartáveis, relógios falsificados e um ou outro item, mais em função do subpreço do que por sua qualidade.

Está enganado o embaixador que, ao que parece, nos considera uma possível e provável colônia chinesa. A pauta de produção do Brasil não é mais o que era.

Nosso mercado interno absorve nossa produção. E o mundo precisa do agronegócio brasileiro, assim como de suas riquezas minerais, queira o embaixador ou não.

Nós é que devemos rever nossa política de importar quinquilharias, normalmente de baixa qualidade e produzidas com trabalho semi-escravo. Aí, sim. a China venderá pra quem?

Cuidado, senhor embaixador. Cautela.

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