quarta-feira, julho 16, 2008

Tudo como Dantas na Terra de Abrantas

Prende, solta. Solta, prende. Afasta delegados porque investigaram? Que poderes ocultos encondem-se atrás dessa quadrilha?
Poderosos, certamente, a ponto de criarem uma pequena crise institucional. Reuniram-se o Presidente da República, o Presidente do Supremo, o Ministro da Justiça e o midiático da Defesa, ex-STF, para acomodar os egos e interesses.
Lula, bom sindicalista e negociador por profissão e vocação, acalmou os ânimos. Genro e Gilmar só faltaram trocar juras eternas e até a incompetência alegada com duplo sentido foi trocada por atribuição, na coletiva reconciliatória.
O que será que Lula soprou aos três pares de ouvidos? Que argumentos usou para enternecer tão vaidosos e maquiavélicos corações?
Teria mencionado que, se Dantas abrisse a boca, poderia levar FHC à barra dos tribunais? Gilmar Mendes, por aquele indicado e guindado ao STF, teria, com o grupo pustulento que nos (des)governou por 8 anos, alguma dívida de gratidão? Dantas afirmara já que nas instâncias superiores estava tudo dominado. Será? Bem, a Min Northfleet, ex-presidente, também já havia beneficado o grupo com sua interpretação da lei. Mas custo a acreditar que não seja somente mais uma bazófia do banqueiro e que os supermeritíssimos não tenham aplicado corretamente a hermenêutica apropriada.
O fato é que, entre mortos e feridos, afastados os delegados do caso e negados os dois habeas- corpus para os remanescentes presos, as águas pacificaram-se e nem se fala mais nas ligações e do tráfico de influência do lobista purgante Greenhalgh e do Chefe de Gabinete Gilberto.
Volta tudo ao que já foi. Tudo como dantes.
E a notícia comovida do dia passou a ser o retorno de Cacciola, extraditado de Mônaco. Até parece que não temos já em solo pátrio banqueiros ladrões em quantidade suficiente. Fosse para fazer justiça, com Totó Cacciola poderiam embarcar no mesmo vôo os senhores Gustavo Franco, Chico Lopes, Pedro Malan e o eterno gerúndio Fernando Cardoso.
Mas, para proteger essa turma, houve a reunião no Planalto. Tudo em benefício do establishment.
Diante de tantos interesses e forças adamastônicas, sou levado a crer que o mais fraco é, ao final, o menos culpado. Cacciola, provavelmente, não tem as armas, o poder de destruição de Dantas. Prenda-se-lhe, então.
Assim, a tecnologia nacional supera, mais uma vez, a do Velho Mundo.

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

"Quem furta pouco é ladrão
Quem furta muito é barão
Quem mais furta e esconde
Passa de barão a visconde"

Do livro 1808, de Laurentino Gomes

6:07 PM  
Blogger Frega Jr said...

É isso, tudo como dantes.

9:51 PM  

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