quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Especialização em Generalidades

A melhor definição que já ouvi sobre o assunto é que, no extremo, o generalista sabe nada sobre tudo e o especialista, tudo sobre nada.
Como extremos não existem, vá lá. Vamos fazer uma concessão. O generalista sabe quase nada sobre quase tudo. O especialista, quase tudo sobre quase nada.
O que sei é que vivemos sob o império da especialização. E aí, só por nostalgia daqueles tempos dos quais nunca imaginávamos sentir saudade, reflito sobre alguns resultados alcançados.
Na saúde, o médico era efetivamente clínico geral. Esse é quem nos atendia, que curava desde bicho-de-pé até apendicite. Não pedia exame de sangue para detectar virose, de urina para saber que havia uma infecção. Somente tratava.
Os especialistas de hoje são hábeis em ler exames e ineptos em diagnosticar pelos seus próprios conhecimentos.
A educação era conduzida por generalistas. A verdade é que aprendíamos nos bancos escolares. Os especialistas conseguiram impor livros bonitos e atrativos, mas sem conteúdo. Tudo em pról de uma pedagogia na melhor técnica, mas sem conteúdo. Todos sabemos os resultados.
As igrejas eram genéricas, pregavam um deus genérico. Hoje, especializaram-se. Umas na venda de milagres, outras na prosperidade. Há, ainda, as que sabem tudo sobre demônios. Outras, sobre os poderes de um copo d'água em ciam da televisão.
Na odontologia, então. O dentista tratava velhos e crianças. Obturações e canais. Hoje, até para extrair um dente há que se buscar um especialista, indicado pelo próprio dentista.
Nosso trânsito é formado por especialistas. Resultado: regras cada vez piores e mais burocráticas para fomentar o caos e a tormenta. Exige-se que o motorista também se especialize e o aumento dos casos de barbeiragem explícita e evidente se somam.
Pollyanas de plantão especializaram-se em considerar bandidos como vítimas da sociedade. Os bandidos especializaram-se em usar a lei para atacá-la. E a polícia criou unidades especializadas em matar bandidos sem cobrar propina.
As leis mais genéricas deram lugar às especializadas. Resultado: quase mil novas leis por ano (só as federais), sem contar das regulamentações às emendas constitucionais. Paraíso dos advogados. Especializados, evidentemente.
Na especialização especializada, objetivo maior de uma sociedade distorcida, não há lugar para um valor fundamental: o bom-senso, o senso crítico.
Chamem os generalistas.
Urgente!

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Breve, teremos nas casas legislativas, especialistas em propor CPI e especialistas em desacreditar CPI. Ao contrário disto temos nos executivos, generalistas na utilização dos cartões corporativos.

Forte abraço,
André

11:24 AM  
Blogger Frega Jr said...

André,
Essa é mais uma especialização. Tungar o contribuinte por "erro".

8:26 PM  

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