sexta-feira, janeiro 04, 2008

Trans

Normalmente o prefixo trans é indicativo de uma mudança de estado, de uma mutação. Mas o português é realmente uma língua rica. Essa mesma partícula, empregada como sufixo, dá o sentido de anacronismo, inconseqüência ou até de irrealidade.
Os exemplos não são muitos, mas significativos.
Detrans, Contrans, Ciretrans, Denatrans.
Acham que o sufixo foi por acaso? Que é maldade minha? Então analisem a imbecilidade das últimas decisões desses gordos senhores de traseiros rotundos e inchados de tanto assentarem-se em reuniões para enxugar gelo, encaixotar fumaça e criar regras insanas.
As placas dos veículos serão trocadas. Alegam que o modelo que eles mesmos definiram há alguns anos é permeável a fraudes e, às vezes, não permitem boa leitura pelos equipamentos eletrônicos geradores de caixinhas para governos municipais e estaduais.
Só falta quererem cobrar dos proprietários dos veículos a culpa de seu erro quando definiram o modelo anterior. Além do mais, mesmo no modelo novo, basta colar um pedaço de fita isolante para alterar letras e números, como todo mundo sabe.
Simultaneamente, entra em vigor a regulamentação para motociclistas. O que esses luminares decidiram?
As viseiras dos capacetes não podem ter películas. Os capacetes devem conter um selo do Inmetro. Faixas refletivas devem ser apostas nas laterais e na parte porterior dos capacetes.
Caso a caso, podemos inferir que obscurecer as viseiras retira a visibilidade à noite mas pode melhorar a diurna em situações de direção contra o sol. Faixas refletivas, à noite são oportunas mas absolutamente desnecessárias de dia. Pior, se se tratar de motociclista profissional, as faixas refletivas devem seguir o modelo adotado para pára-choques traseiros dos caminhões. Se é tão importante, porque restringir aos profissionais? Se não é, porque penalizá-los? E selo do Inmetro, bem, é só mais um componente de custo, pois segundo declaração daquele instituto, essa medida ensejará uma indústria paralela e clandestina de selos.
Essa mania de querer regular em detalhes a vida dos cidadãos está no centro filosófico da autoridade pública. Acha-se tutora do bando de irresponsáveis que, em sua opinião, é composto pelo restante da população, estúpida, beócia, suicida e incapaz. Coitada dela, não existissem esses conselhos modorrentos e seus membros portentosos.
Seria muito mais útil que desencadeassem uma campanha esclarecedora sobre a conveniência de se adotar esses tópicos de segurança. Mas não. Pensam que reprimir aplicando multas é o caminho.
Entende-se, até porque geram o dinheiro necessário para pagar seus cafezinhos e bolachas enquanto planejam a próxima imbecilidade, além de outros babados que surgem no campo dos negócios quando se pode fazer e alterar regras a bel-prazer.
Não se trata de segurança pública. Trata-se da pior forma de tirania: a prepotência do poder.

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