segunda-feira, janeiro 07, 2008

Sumam com o de Cujus

A vítima estava parada no sinal fechado, como manda a lei. Se ia ao cinema ou prá balada, não importa. Estava no seu direito. Às 22h30 não se pode dizer que ele ou sua acompanhante estivessem cabulando trabalho.
Uma moto pára a seu lado. O piloto o aborda para um assalto. Faz menção de sacar uma arma do cinto.
A vítima pega sua pistola e descarrega o pente no bandido. Dez tiros, suficientes para matá-lo várias vezes. Após o ocorrido, chama a polícia e comparece ao DEIC.
A mídia repercute o fato entrevistando a família, que afirma que o morto não era envolvido com assaltos e crimes. Pessoa de bem, estava indo em socorro a um amigo que estava com a moto pifada. A mídia enfatiza ainda que o morto não estava armado.
No entanto, com o morto foram encontrados cinco relógios que haviam sido roubados naquela noite mesmo, na mesma avenida. A placa da moto estava recoberta por um plástico. Só falta dizerem que o atirador é insano, picareta e que plantou essas provas.
A vítima é Procurador de Justiça e está sendo questionada por portar uma pistola 9mm, calibre privativo das forças armadas.
A vítima está virando réu. Vejam que inversão de valores.
O Procurador matou o assaltante e fez muito bem. É possível que o Dr Lídio Toledo Fº, ainda em estado grave e declaradamente paraplégico em função do assalto que sofreu no dia 31/dez, portasse ele uma pistola e a disposição de reagir aos bandidos que o atacaram, também tivesse livrado a sociedade de um ou mais bandidos e, de quebra, salvo sua coluna do dano irreversível. Mas não, o Dr Lídio não portava armas. Talvez até acreditasse que bandido é recuperável.
Atrás desse drama talvez esteja o desespero do morto. Às vésperas do segundo filho, é possível que buscasse recursos. Mas quem o matou não foram as balas do Procurador e sim essa onda de impunidade e de defesa de bandidos, que torna a busca de recursos pelo assalto meio mais fácil e indolor do que ir atrás de um terceiro expediente, de um bico que seja.
Fez muito bem o Procurador e aí pergunto: que diferença faz se a pistola era 9mm? Se fosse 380, não teria surtido o mesmo efeito?
Qual a razão de se questionar burocraticamente se o calibre estava ou não autorizado? Só encontro explicação na cumplicidade de vários segmentos com o crime. Coitadinhos dos bandidos. Coitado do assaltante, foi executado pela truculência de um membro do ministério público, à queima-roupa, sem chances de defesa. Assim querem pintar o quadro.
Nesse panorama até entendo que o procurador errou. Errou em se apresentar à polícia, em lavrar a ocorrência. Deveria ter acelerado o carro e se mandado. Deixasse a culpa pela morte para uma briga qualquer entre bandidos, pois pistola 9mm se encontra até na feira do rolo do litoral paulista, como demonstrado ontem no Fantástico. Aliás, é a preferida dos assaltantes.
Vale a lição. Se agirmos em legítima defesa, fujamos logo após. Senão, seremos processados e viraremos réus. Ou, se der, sumam com o defunto.
Essa não é a lei mas parece que é a regra do jogo numa sociedade cada vez mais hipócrita em sua relação com o crime.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Vou traçar um paralelo:
- sou uma pessoa de bem, não sou assaltante;
- estou dirigindo uma moto, para num sinal, às 23h;
- o que eu vou fazer para não arrumar confusão? para não dar oportunidade de o motorista que já está parado pensar que está sendo assaltado?
- VOU FICAR NA MINHA, ATENTO PARA FUGIR SE PERCEBER QUE ALGUÉM VEM ME ASSALTAR. NÃO VOU ENCOSTAR PERIGOSAMENTE PRÓXIMO DE NENHUM CARRO QUE JÁ ESTÁ PARADO, NÃO VOU FAZER MOVIMENTOS QUE INDUZAM A NINGUÉM PENSAR QUE EU ESTOU PROMOVENDO UM ASSALTO.
Não sei se o rapaz que morreu era delinquente ou não, de qualquer forma, aprendi com minha mãe:
'QUEM NÃO QUER SER LOBO, NÃO LHE VESTE A PELE"
Se induzo alguém a pensar que sou assaltante, vou ser tratado como tal.

1:51 PM  

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