sexta-feira, março 30, 2007

Camp David

Aplainando terreno para a reunião de Lula e Bush neste fim de semana, em Camp David , o governo brasileiro publicou hoje, no Washington Post, artigo assinado pelo presidente enfocando a produção do biocombustível, desmitificando a "proteção ambiental" e, de quebra, rebatendo as críticas do bolivariano (?), efetuadas por meio de seu porta-voz cubano.
"É um primeiro passo importante no sentido de comprometer nossos países a desenvolver fontes de energia limpas e renováveis (garantindo) a proteção ambiental", acrescentando que a iniciativa "é uma receita para aumentar a renda, criando empregos e reduzindo a pobreza entre os vários países em desenvolvimento onde colheitas de biomassa são abundantes. Essas fontes alternativas (de energia) ajudam a reduzir a dependência global em relativamente poucos países fornecedores."
Rebatendo os ambientalistas escatológicos que vinculam o aumento das lavouras de cana à extinção da floresta amazônica, afirmou que "O solo amazônico é altamente inapropriado para o plantio da cana-de-açúcar. Além do mais, no contexto do compromisso inabalável do Brasil com a proteção ambiental, o desflorestamento caiu 52% nos últimos anos".
E se contrapondo à campanha de Chavez, que brande o fantasma da fome no mundo para combater o biocombustível, Lula foi ainda mais longe.
"Menos de um quinto dos 340 milhões de hectares de terras aráveis do Brasil é utilizado para colheitas. Apenas 1%, ou 3 milhões de hectares, é usado para cana-de-açúcar para etanol. Em contraste, 200 milhões de hectares são pastagens, onde a produção de cana está começando a se expandir. O desafio real de prover segurança alimentar está em superar a pobreza dos que regularmente têm fome. A disseminação da cana-de-açúcar, soja e outras colheitas de oleaginosas para uso em biocombustíveis vai assegurar que as famílias em necessidade tenham os meios financeiros para se sustentar. A agricultura provê não apenas alimento, mas uma maneira de vida para milhões de pequenos produtores em todo o mundo."
Ou seja, enfocou corretamente o problema.
Não se trata da capacidade de produzir alimentos. Trata-se da capacidade econômica de consumí-los, que só se adquire com produção e renda. Trata-se de manter ou não a miséria e sua legião de famintos.
Infelizmente, sustentáculo de governos populistas, como o de Chavez, ou anacrônicos, como o de seu vetusto porta-voz.

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